Exames imagiológicos em idade pediátrica: riscos versus benefícios
Exames imagiológicos em idade pediátrica: riscos versus benefícios

Uma dúvida frequentemente colocada aos Pediatras pelos pais é a pertinência da realização de um exame imagiológico (radiografia (vulgo “raio-x”), ecografia, tomografia computorizada (TC) ou ressonância magnética (RMN)). Pode acontecer que faça sentido para os pais que o filho seja submetido ao exame em causa, não tendo este sido solicitado e pergunte ao Pediatra “mas consegue ver o que ele tem só pela auscultação/palpação/observação?”. No contexto da atual crise económica que o país atravessa, alguns pais receiam que certos meios complementares de diagnóstico não sejam requisitados por restrições impostas pelas políticas hospitalares. Já noutras situações poder-se-á verificar o oposto, tendo o médico solicitado a realização de uma técnica de imagem e os pais questionem se esta é de fato essencial ao esclarecimento do quadro clínico, temendo os danos que o exame possa causar.

Bebé Raio-xO Pediatra poderá tentar esclarecer junto dos pais porque consideram ou não pertinente a realização de determinada técnica de imagem, embora nem sempre a sua lógica seja de fácil compreensão para quem não detém conhecimento técnico na área da saúde. Duas crianças poderão apresentar uma sintomatologia aparentemente semelhante, verificando-se que uma delas irá necessitar de um exame imagiológico e a outra não, ou a uma ser requisitado um determinado exame e à outra criança ser solicitada uma técnica diferente. Isto acontece porque as situações clínicas nem sempre são  estanques e a decisão será invariavelmente ajustada ao caso particular com o qual o médico se depara. Cada situação clínica e cada criança tem as suas peculiaridades, sendo por esse motivo únicas e incomparáveis.

O essencial é que as decisões sejam tomadas num balanço entre os riscos e os benefícios, tendo os pais todo o direito ao esclarecimento dos mesmos e sentindo-se desta forma seguros e confiantes na decisão do médico.

No entanto, se por um lado reconhecemos que o desenvolvimento e aperfeiçoamento progressivo das técnicas de imagem permitem benefícios inquestionáveis em múltiplas áreas e situações, sabemos por outro que nem todas são inócuas. Por exemplo, aquelas que envolvem a emissão de raios-X, nomeadamente as radiografias ou as TCs, poderão efetivamente ser prejudiciais pela radiação que emitem. Por sua vez, outras técnicas como a ecografia ou a ressonância magnética não emitem radiação e são por isso mais “inofensivas”, mas infelizmente por empregarem metodologias diferentes não permitem visualizar as mesmas estruturas que as primeiras, motivo pelo qual não as substituem.

Lia Mano

Natural do Barreiro, sentiu desde cedo o apelo da Medicina e a vocação para trabalhar com crianças e jovens. Ainda enquanto aluna da Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa colaborou no ensino da Unidade de Infeção: Etiologia, Patogénese e Bases Terapêuticas, onde atualmente é Assistente. Após a conclusão do Mestrado Integrado em Medicina trabalhou no Hospital de São Francisco Xavier, em Algés, onde para além de ter contatado com o Serviço de Pediatria optou por aprofundar conhecimentos e competências em Psiquiatria da Infância e da Adolescência. Encontra-se atualmente no seu percurso de especialização em Pediatria Médica no Hospital de Dona Estefânia. Otimista por natureza, acredita que todos os adultos deveriam preservar algo da criança que foram. Consciente das dificuldades e angústias dos pais, crê que cada etapa do desenvolvimento da criança deve ser encarada como um desafio e oportunidade de aprendizagem mútua. Em paralelo à atividade médica e docente é ainda membro do Rotary Club Lisboa Centro, sentindo-se particularmente motivada para o envolvimento em projetos dirigidos à promoção da Saúde e Educação Infantil.

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