Sal na alimentação do Bebé

Sal na alimentação do Bebé

O Sal na Alimentação do Bebé é um tópico interessante a abordar e muitas vezes negligenciado por muitos pais.

O Sódio (Na) e o Cloro (Cl), constituintes do sal, são fundamentais no equilíbrio hídrico e promovem ainda os processos fisiológicos relacionados com o músculo e com o metabolismo. Contudo, quando consumidos em excesso, poderão ser prejudiciais e condicionar doenças graves no futuro, como a hipertensão arterial.
A prevenção da hipertensão deve começar a partir do nascimento. No primeiro ano de vida existe uma grande sensibilidade ao sal, estando um consumo mais elevado do mesmo associado a valores mais elevados de tensão arterial.

A sensibilidade ao sabor salgado parece depender mais de factores ambientais de exposição que de factores hereditários, ou seja, trata-se de uma preferência que é maioritariamente adquirida. Em crianças, o interesse pelo salgado aumenta a partir do segundo semestre de vida, atingindo um pico pelos 3-4 anos. A exposição mais precoce aumenta também o interesse por esse sabor.

Os principais fornecedores de sal são o sal de cozinha, derivados do leite, frutos do mar, temperos e a maioria dos alimentos processados. O sal é um aditivo alimentar, pelo que não é recomendada a sua inclusão nos preparados culinários durante o primeiro ano de vida; o sódio intrínseco dos alimentos é suficiente e adequado à maturação renal progressiva nesta fase do desenvolvimento.

O leite materno contém um teor muito baixo em sal, mas suficiente para um saudável crescimento e desenvolvimento do bebé. Se não amamentar deverá optar por um leite em pó, próprio para lactentes, que possua um teor em sal semelhante ao do leite materno. O teor em sal do leite de vaca é elevado, pelo que este deverá ser evitado no primeiro ano de vida.

Quando o seu bebé iniciar a diversificação alimentar (4 a 6 meses), deverá verificar o teor em sal dos alimentos que adquire, embora a maioria não tenha, em princípio, adição de sal. Não adicione sal ao puré de legumes; o sal das hortaliças é suficiente. O bebé não irá sentir falta do sal nas refeições se não tiver sido exposto ao seu sabor – mesmo que a si lhe pareça que a comida é insípida.
Em alguns casos excepcionais, os bebés podem ter necessidade de uma quantidade de sal maior do que a recomendada no geral (por exemplo, se forem sujeitos a medicação que baixe a concentração de sódio no sangue); nestas situações deverão ser seguidas rigorosamente as orientações médicas no que concerne à ingestão de sal.
A partir dos 2 anos de idade, a OMS recomenda que não seja excedido um consumo de 2g de sódio por dia (o que equivale a 5g diário de sal), devendo esta quantidade ser ajustada às necessidades energéticas da criança (recordando que estas são inferiores às do adulto).

Resumo das orientações da OMS:

  • Recomenda-se uma redução na ingestão de sódio de modo a reduzir a pressão arterial sistémica e o risco de doenças cardiovasculares, derrame cerebral, enfarte cardíaco e doença coronária nos adultos. A ingestão adequada de sal deve ser inferior a 2g/sódio/dia nos adultos;
  • Recomenda-se uma redução na ingestão de sódio para controlar a pressão arterial sistémica nas crianças maiores de 2 anos;
  • A redução da ingestão de sal está diretamente relacionada com a redução da ingestão de iodo, que está presente no sal (sal iodado). É muito importante que a ingestão de iodo seja adequada mesmo com a redução da ingestão de sódio, lembrando que o iodo é ingerido em grande parte através do sal iodado (fontes de iodo: a) alimentos ricos em iodo: peixe, crustáceos e algas; b) fontes variáveis – vegetais, carne, leite e seus derivados; c) alimentos fortificados – sal iodado);
  • A ingestão de sódio recomendada nas crianças é menor do que nos adultos, pois a necessidade energética nas crianças também é menor. Verifica-se uma associação positiva entre o requerimento energético diário das crianças e as necessidades em teor de sal.
Lia Mano

Natural do Barreiro, sentiu desde cedo o apelo da Medicina e a vocação para trabalhar com crianças e jovens. Ainda enquanto aluna da Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa colaborou no ensino da Unidade de Infeção: Etiologia, Patogénese e Bases Terapêuticas, onde atualmente é Assistente. Após a conclusão do Mestrado Integrado em Medicina trabalhou no Hospital de São Francisco Xavier, em Algés, onde para além de ter contatado com o Serviço de Pediatria optou por aprofundar conhecimentos e competências em Psiquiatria da Infância e da Adolescência. Encontra-se atualmente no seu percurso de especialização em Pediatria Médica no Hospital de Dona Estefânia. Otimista por natureza, acredita que todos os adultos deveriam preservar algo da criança que foram. Consciente das dificuldades e angústias dos pais, crê que cada etapa do desenvolvimento da criança deve ser encarada como um desafio e oportunidade de aprendizagem mútua. Em paralelo à atividade médica e docente é ainda membro do Rotary Club Lisboa Centro, sentindo-se particularmente motivada para o envolvimento em projetos dirigidos à promoção da Saúde e Educação Infantil.

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